segunda-feira, 2 de julho de 2012

A jornada dos ossos.


 Fazem parte da nossa rotina e de nossas vidas. Os cachorros são quase ou mais humanos do que nós. Precisam de quase ou mais tudo que nós. São dóceis e imprevisíveis. Cada cachorro tem seu style ou seu jeito de não ser.
Mas eles têm a pior das qualidades do homem: morrer. Um dog sem raça mas com jeito de cachorro grande; e ele é grande! Enorme! Rabugento... Mas não quer mais viver. Perdeu a força vital; a sua fonte da vida secou. Ele é apenas uma sombra do que era. Não há veterinário que cure a falta de vontade em viver. Ele está e é velho! São mais de 12 + 1 anos de vida! É assim que me lembrarei de sua idade, 12 + 1.
Quando aqui chegou, ainda com 2 meses de idade, pegou pela frente logo um comício. Adivinhem de quem... 1999... Pois era um grande e "festeiro" comício. Foguetório pra ensurdecer até quem não escutava bem. O pobre... Todo se tremendo... Mal sabia ele que iria ficar traumatizado com fogos! Os fogos passaram, e o candidato, infelizmente ganhou e não passou. Não era pra ter ganhado? Era, pois a maioria assim quis, mas por mim... Por Spock...
Hoje os fogos não o incomodam mais. Ele mal escuta, está velho e cansado de tanto sofrer. Quando ainda novo, pegou uma tal de virose. Parece coisa de gente, mas não é. Foi tratado e medicado como um ser vivo que precisava de cuidados. Mas ele não sabe que nem humanos tem o tratamento que ele teve, sempre.
Parei um pouco de escrever agora. É difícil falar e não se emocionar. É e está sendo difícil não vê-lo comer nem beber água. Spock está no fim, no fim de sua jornada, a jornada dos ossos. Não tem mais forças pra quebrá-los, pois está sem vontade, sem alegrias... Eu entendo ele, pois também já fiquei sem rumo, sem forças, sem vontade. Mas ele não tem consciência da vida; eu tenho.
Por mais de 12+1 anos coloquei sua comida e água! Todos os dias, com poucas exceções. Não está sendo fácil pra mim, mas imagine pra ele. Ele não tem mãe pra segurar sua pata... Ele só tem a mim e eu a ele. Não era pra ser assim Spock, você não poderia fazer isso comigo. Mas é a vida, uma vida de cão. As pessoas vivem para verem os outros morrerem.
Um dia lembrarei-me de você como alguém que se foi; alguém que nunca mais vai voltar. Saberei que fora um cachorro legal, gente fina demais! Eu pude lhe contar meus segredos, mas nunca soube dos seus. Dos gatos que matou, das dores que sentiu ou sobre as cadelas que nem mesmo chegou a conhecer... Isso mesmo, ele passou a vida sem saber o que era viver. Mas acho que não dará muita importância para isso, pois não tem como sentir falta daquilo que não conhecemos.
É assim que tento prestar minhas homenagens a quem ainda não se foi; alguém que nem mesmo era alguém, mas um cachorro que foi tratado como gente, mesmo sem nunca ter sido um de nós.

sábado, 16 de junho de 2012

Que país é esse?



Nossa vida é um espelho do mundo em que vivemos. Um microcosmo e uma pequena amostra seja ela de bondade ou de maldade. Minha vida é sabida por quem não me conhece e querida por quem sabe quem sou eu. Durante esses quases dois anos que estive na convivência de grandes amigos na faculdade, aprendi que não temos quase nenhum amigo de verdade.

Minha relação com meus colegas de sala é amórfica. Minha vida é, com eles, sem muita vivência, mas de muito aprendizado. Sou assim, distante. Sou assim, parado, quieto e educado. Sou professor e me julgo ensinante. Não estou em lugar algum para aprender se eu não quiser. Na faculdade eu pago para ser bem tratado! Não pelos corredores, portas, maçanetas ou espelhos, mas pelos funcionários, que de certa forma eu pago.

Quem não me conhece sabe quem sou eu. Imagina que ali, somos alunos e distantes, mas não, somos pagantes. Assim como em um ônibus; assim como em uma pizzaria, ou padaria; assim como em qualquer lugar onde existe essa relação de “eu preciso” e ”você me atende”. Não estou na faculdade, pagando, para ser maltratado. E não maltrato ninguém. Nunca. Jamais.

Meus colegas de sala sabem que sou eu, vulgo “Carlão”. “Esse bicho é doido”, diria um amigo.

“Você e suas coisas” diria outro. Mas nenhum deles seria capaz de dizer o sentimento pelo qual passei ontem em sala de aula.

Não sou um aluno que serviria de exemplo, mas sou um aluno exemplar. Não tenho vaidade de ser o melhor aluno ou o mais querido pelos professores. Poucos são os professores que merecem serem chamados de PROFESSORES. Mas os poucos bons professores que ostentam esse título, fazem-me esquecer dos ruins que não merecem serem chamados como tais. O melhor professor da instituição FCRS que eu conheço, também foi o que me faz pensar sobre qual o objetivo da faculdade de Direito; uma frase que ele disse logo na primeira aula do primeiro semestre: “Aqui não é o mundo lá de fora”. Aquilo foi transcendental.

Pensava eu que não poderia haver cura para o mal, sem usar o próprio mal como matéria prima. Não há como encontrar cura para algo que não tenha vindo dele próprio! Como eu poderia mudar o mundo sem olhar para dentro dele? Como poderia esquecer o mundo que me maltrata e me magoa? Iria viver aonde? Como eu disse, isso veio do professor que eu mais admiro na instituição; um cara que não faz chamada, mas que quer que deixamos nossa presença no mundo irreal! Ele está certo, pelo menos na visão irreal das coisas.

Eu sou melhor que qualquer pessoa daquela faculdade, pois é assim que certos professores me viram. Sentiram-se magoados ou tocados por alguém que eles achavam conhecer melhor do que ninguém! “Somos intocáveis e não aceitamos sermos contrariados”. Mas eu, “professor”, sou melhor do que o senhor, pois lhe tratei de forma justa e a luz da minha justiça. Justiça essa que eu conheço por educação.

Ontem enquanto eu esperava começar a prova (AP2) de Direitos Humanos, tentei não ficar em sala enquanto não fosse necessário. Só adentrei na sala quando já vinha o professor. Ele chegou, olhou pra mim e foi guardar suas coisas na mesa, lá na frente. Voltou e me perguntou o que eu fazia ali sentado, ocupando o espaço dos outros (pasmem!). Eu puxei fôlego e fui o mais breve e calmo possível, e disse que apenas esperava por fazer minha prova. Ele disse que não sabia pra que eu ia fazê-la, a prova, pois ele não abonaria minhas faltas. E eu perguntei se eu não tinha esse direito de fazê-la. Ele parou, olhou e disse que não fazia a menor diferença se eu ia fazer ou não...

O que eu poderia ter feito para tanto? Postei neste mesmo Facebook uma crítica a atuação do professor contra minha colega de sala. Colega essa, mãe e acima de tudo, minha estimadíssima amiga. No dia em que tentei defendê-la, ela estava errada, pois tentava “pescar” na prova dele. Ele não titubeou e arrancou de suas mãos o mundo irreal, trazendo-a ao mundo real. Eu pensei como poderia ser assim? Onde estão as liberdades e garantias do ser humano? Irônico, não? Onde está o direito do ser humano, estudante, em exercer sua função laboral? Eu só estudo, então minha profissão é ser estudante. Não aceito ser maltratado como fizeram com minha colega, que após o acontecido em sala de aula. Ela, nos jardins suspensos da FCRS, sucumbia em prantos naquele dia. Eu não poderia deixar assim. Ela errou? Sim. Mas não precisava passar pelo que passou. Aperto, pois a sala estava lotada, assim como ontem. Humilhação pública. Motivo de chacota. Não existia o crime de fraude em concursos (Lei 12.550/11) até dia desses, imagine o de fraude em prova de faculdade!

Estive olhando no sistema da FCRS minhas faltas e não tive faltas até o mês de março, e olha que foi a época em que eu mais faltei! O professor disse que eu poderia fazer a prova e que nada adiantaria, pois ele não abonaria minhas faltas. Eu não poderia ter ficado doente, ou qualquer outro tipo de problema? Por que ele veio logo dizendo isso, que não abonaria minhas faltas?

Quem é mais criminoso aqui? Eu claro, pois defendi os direitos do mundo real. Direitos esses os quais cresci e vivi vendo pessoas “intocáveis” usurpando-os de pessoas de menor valor humano. Eu estou e sempre estarei do lado mais fraco, pois é lá que me sinto pequeno e com a possibilidade de ver o quão grandioso é a obra de Deus. Enquanto, outras pessoas vivem em um mundo criado por eles mesmo. Em um mundo distante da realidade e do sofrimento de quem faz tudo isso acontecer.

Parabenizo-me e saúdo-me por ser quem sou: um amigo admirado e aclamado pelo silêncio dos corredores, dos quais espero jamais voltar.


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Se estou certo ou errado, nem o tempo dirá.


Todos os dias deus dá e deus tira. Assim como o diabo faz e refaz. O diabo, claro, está sempre negativado em nossos acontecimentos ruins e a deus sobra "as vontades" divinas. Nunca quis entendê-los, pois não tenho pactos ou promessas a pagar. Preocupa-me, evidentemente, não irritar ninguém.

Claro que irritar não é a maior especialidade humana, já que a criatura não pode ser maior que o criador... Ou pode? Bom, criamos deuses. Alguém duvida?

Numa clara e evidente  realidade, divindades permeiam os pensamentos de bilhões! De alah pra cá, todos entram na seara divinas. Devemos a elas! Sério? Eu não devo nada, mas respeito e admiro quem deva. Não como poderia já que a fé remove montanhas e eu não consigo remover nem meus medos!

Santos? Milhares. Animais? Digníssimos! Ao que o homem não entende, dignifica; ao que o homem não concebe, santifica; ao que o homem destrói, endiabra. Eu não faço nem uma coisa nem outra, apenas vivo ou tento conviver com tudo que está por ai.

A fé é tão necessária quanto o pão de cada dia. Será? Somos tolos em brigar por "eles". Não existem além do nosso imaginário, eu poderia dizer. Nunca vi "o positivo" e muito menos "o negativo". Não os vejo por não acreditá-los, ou por não existirem, mas pelo simples motivo de não precisar que eles estejam na minha vida, como se servissem para explicar minhas glórias ou derrotas. O destino é minha culpa e a culpa não pode existir além de mim.

Alguém tem que ser o bode expiatório; em alguém temos que por a culpa, e em alguém temos que por a glória. Não podemos ser totalmente culpados? Não podemos ser totalmente glorificados? Claro que não, pois somos falhos, tolos e culpáveis! Não somos acreditáveis, assim como não somos preteridos a vencer sozinhos. São minha culpa minhas falhas, e não de “alguém”. Não espero compreensão dos meus fatos, até porque são quase tão comuns como a de tantos outros! Mas eu entendo aos que sofrem...

É difícil sofrer e não ter a quem recorrer ou culpar. Já imaginou uma vela queimando e iluminando um ambiente vazio? De que adianta existir e cumprir suas tarefas se não podemos ser especiais; servi pra alguma coisa.

Sempre precisei criar meus próprios deuses, fazendo-os improváveis e desumanos. Eu não pensava ser igual aos que precisavam de divindades coletivas; tornara-me especialmente alocado, preso e “estranho” a tudo.

Mas um dia nada aconteceu. Não tive visões, mas tive várias ocasiões. Não procurei as montanhas para refletir sobre a vida; minha vida sempre refletiu quem fui e quem serei, pois no agora não sou nada, assim como ninguém é.

Alguns preferem depender dos deuses para sofrer melhor; outros acusam um ser endiabrado por não viverem melhor. E enquanto deus, o diabo e seus criados-criadores lutam desesperadamente, eu vou por aqui à margem de tudo que não posso entender ou conviver. Se estou certo ou errado, nem o tempo dirá.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Falam por falar.






Já ouvi falar sobre flores.

Nem conto mais com suas dores.

Já escrevi minhas árvores, derrubei meus livros

E descobri que nada sei.

Não era pra ser assim, de tempos em tempos?

Uma refazenda?!

Nem sei o que é isso;

É mistura de bicho? É "fulô"?



Já contei milhares de espinhos

E com eles senti meu cheiro.

Já preparei a "mudança", esqueci da "mundiça"

E ainda não cheguei.

Onde que era mesmo, à vaga lembrança?

Melhor que a encomenda,

Interesse diverso...

Mas o que eu queria mesmo

Era ser livre como meus versos!



Neles eu esqueço, lembro e converso!

Não importa se são simples ou complexos.

Se terminam com “ão”, então,

Como os começo?

Não os meço,

Nem os impeço.

Endereço

A todo vivente.



Tornam-se gente e alegorias...

Fantasias, isso!

É um vício, um mar pendente!

Um luar vira dor e a dor latente.

Mas não. Não posso ser livre, assim.

Tudo tem seu por que,

Mas não encontro o porquê de tudo.



Convivo com incapazes

E deles depende minha sanidade.

Deixam saudade.

Falam a verdades.

Dizem palavras mesquinhas.

E eu escolhendo as minhas...



Neles eu esqueço, lembro e fico perverso.

Não me interesso,

Nem me adianto.

O ser humano é doce

E doce mata.

Assim como sal conserva

E a água desmancha.



Não dependo mais deles,

Eles são chatos...

Ingratos!

Perdidos!

Tornam-se gente e são minhas alegrias...

E tristezas e melancolias...



Não há razão para falar mais,

Por isso eu poderia só escrever.

Poderia, mas não faço.

Queria, mas não posso.

Faria, mas não devo.

Seria, e sou.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

E um político que me dê a mão... Todo dia.





"Esse ano quero paz no meu coração..." Quem nunca ouviu essa música na época do fim de ano? Pois é, esse ano eu quero paz na minha consciência. Estamos em ano eleitoral, eleições municipais... Hora de escolher o próximo Dr. Mesquita, Ilário Marques, Rômulo Carneiro... Vários nomes e muitas histórias sejam elas trágicas hilárias ou com final feliz.

Em nossa felizcidade o final feliz está próximo, pois está acabando o ano e com ele, pelo menos é o que a maioria diz nas ruas da felizcidade, o mandato do nosso queridíssimo Dr. Rômulo. Antes, politicamente falando, Dr. Rômulo não existia, pelo menos não concretamente. Mas quem nunca disse: "O homem faz tantos milagres no hospital, bem que poderia ser nosso prefeito e melhorar tudo isso!" Ledo engano.

Sou do tempo em que o Dr. Mesquita fazia carreata sem moto-táxi auxiliando. Sou do tempo em que candidato a prefeito dava tiro na própria barriga. Sou do tempo em que tudo era como é hoje, cada um por si.

Mas o tempo passou e nada mudou. Continuamos votando em Dr Ilário, político que vinha para acabar com as oligarquias. Homem que destronaria os poderosos. E assim o fez, fazendo história e tentando contar a sua própria. Continuamos a votar em Médicos ou advogados e nenhum deles foi capaz de nos dar a paz que tanto almejamos.

O Dr. Ilário fez praça, mandou dar uma mãozinha de cal no estádio, outra no Cedro. Fez mais praça e mais show na praça. E mais um milhão de coisas... Dr. Mesquita fez avião pousar, sangue ajudar e escola lecionar.

Eles “muito” fizeram, pelo menos é o que dizem. E nós, cidadãos, estamos a fazer nossa parte?

Em época de campanha todo dia alguém roubou mais do que o outro. Cada dia aparece uma casa, fazenda, carro e outras tantas “benfeitorias” que os nossos políticos fazem a si próprios ou a suas famílias. Não nos enganemos com roubalheira, ela acontece sempre e nunca vai deixar de existir. Quem tem que fazer a diferença somos nós e não eles!

Não caiamos na falsa promessa do milagre, ele não existe! Os que nos governam, a priori, deveriam ser honestos e probos, mas não são totalmente e jamais serão. E sabe o porquê disso, dessa falta de total compromisso? Simples: eles são tão humanos quanto nós.

Vejo fogos estourarem quando um pobre coitado encontra dinheiro e devolve! Não é obrigação nossa pegar e devolver o que não é nosso? Devemos ser honestos; isso deve ser inerente a nossa índole!

Nós, os cidadãos quixadaenses, somos tão ladrões quanto os que nos roubam. Nos Furtamos-nos de ter educação, quando vamos a praça aceitar o pão e o circo. Somos desprezíveis quando votamos em quem subitamente enriqueceu a custa do sofrimento de quem está doente na fila do hospital!

Quer saber o que é sofrer? Vá marcar um exame na rede pública! Vá ao hospital Eudásio Barroso e pegue um médico ignorante, uma fila, um atendimento ruim, uma enfermeira bruta e um hospital sem algodão!

Gente, reclamamos por coisas que deveriam existir para a municipalidade, mas nos esquecemos de coisas que deveriam partir de nós e nossos “doutores”: Humanidade. Isso, ela existe dentro de nós.

Eu não quero ver uma Felizcidade, quero ver gente feliz e responsável. Quero ver gente humana e não cegos pela ganância de “mamar” mais 4 anos!

Vivemos tempos difíceis em relação aos nossos governantes, mas eles sempre foram assim. Eles só mudarão se nós mudarmos, pois eles são iguais a nós; vivem sob o mesmo teto solar e o mesmo chão de estrelas.

Os nossos políticos são a nossa imagem e semelhança: não cuidam de nós, pois não cuidamos deles. Eles precisam do nosso carinho e nós do carinho deles. Não precisamos nos vender, assim como eles não se venderão.

Ganhe quem ganhar, só espero que a população saiba escolher o melhor vencedor. Perca quem perder, só espero que o perdedor apareça nos outros dias do ano e não apenas nos últimos dias antes da eleição.

Esse ano quero paz na consciência coletiva.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

The Key


A aliança, peça tão decorativa,
não fala sobre nós quanto queria.
Nem a ausência que um virá um dia,
antes mesmo de eu ser teu deus.

e nos passos galgados sozinho,
nas trevas da absurda equação,
não há sussurro que fale, então,
ignoro o presente que me deu.

e passamos todos os dias ali
sem nos perceber, nem tocar.
todo cheiro pode ser teu,

qualquer preço é o que vale!
e sem me deixar saída, vou ficar
preso, se é que não me esqueceu.

sábado, 19 de maio de 2012

Eu já tive medo de perder no par ou ímpar.


 Armaduras, chifres e “super poderes”: coisas de herói. Tempos bons e duradouros em minhas lembranças. Tempos onde o medo era ficar "de time fora". Tempos onde os amores eram eternamente praticados, mesmo eu não sabendo o que era amor.
Eu tive tempo pra perder de vista meus brinquedos, meu irmão os quebrava. Ele era o "maior" de todos os meus medos; mas não adiantava, quebrava tudo!
"Eu era pequeno, eu me lembro..." Dizia a cantiga da escola. Éramos invencíveis! Super-heróis éramos nós, comandados por pais e mães eternos...
Brigas? Só por uma tal democracia; uns velhos que gritavam por ela. Brigas? "Meus brinquedos"! Amores não existiam, eram contos de fadas, e assim como tais, não eram de verdade.
Eu ainda pequeno, descobria o amor do meu jeito. O amor era pega-pega. O grito ainda não virara sussurro. Os dentes caiam e formavam minha única dor. Lacunas no rosto e perguntas sem respostas. Eu conhecia meu primeiro amor, mas não sabia o que era amar.
O amor era o irmão. O pai o carão. A mãe solidão. Do avô eu era a paixão. Da avó a vida e a razão. Eu era lindo de morrer...?! E alguns deles se foram mesmo. Não entendia a vida e como ela se fazia presente todos os dias. Tudo acontecia se que eu soubesse de nada; não controlava nem a respiração.
“Meu joelho, meu pé, meu olho doía”. Tudo eu fazia pra chamar a atenção. Eu era criança entre meninos e meninas, eu era quase nada de tão pequeno. Eu era a inocência e a razão das idas e vindas da vida.
Eu, ainda pequeno, já era o amor de tantos e a felicidade de muitos. Apenas estar ali já bastava a quem me amava. Eu não era maior, nem menor, era pequeno, e como muitos como eu, eu era especial.
O amor que fora eterno, de tão concreto se quebrou. Meu amor que nunca mais vi, fui embora. Meus medos tomavam forma e ganhavam nomes. Estranhos nomes e cores. Eu já não era tão “bunitinho”. A bochecha não era mais apertada. Morrerá “o meu amor”?
O amor virará adulto. A vida vivara dor. O irmão foi embora. Os brinquedos eu não tinha mais. A fome não existia, mas os amigos se multiplicaram. Fui jogar bola.
Fui ver o trem passar. Fui ser feliz como nunca tinha sido antes! Fui ser o astro do meu espetáculo. Descobri que a vida nos dá vários papéis. Que o drama faz parte daquilo que eu tinha chamado de amor. A tragédia que antes fora apenas morte, eu já entendia melhor como parte inerente da vida. Fui correr. Fui nadar. Fui fazer chover. Fui jogar bola. Chutei a vida pra tão longe que nunca mais voltei... Até que hoje aconteceu.
Hoje não é agora, hoje é ontem. E ontem parece que foi hoje.
O amor mudou novamente, e com ele suas regras. Virou um cada um por si, e alguém por todos. Nada de eternidades ou sonhos de faz de contas, somente sofrimento e desilusões; muitas delas. Dias difíceis, mas contornáveis. Tanto que o hoje aconteceu.
O amor mudou minha vida. A vida mudou com o amor. A mudança mudou os dois, e me mudou. Hoje já é possível andar sem meus brinquedos, eles mudaram também. Não machuquei mais o joelho, o pé, mas o olho ainda dói: miopia. Cai e levantei, e o amor? Está quase virando a esquina da vida, indo embora como eu fui um dia.
O amor que falo é aquele que dura pra sempre; aquele que só existe na mente de uma criança inocente que não sabe o que é o amar.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Não é homem nem mulher, é mãe.

Não é homem nem mulher, é mãe.

Ah, esse é "O ASSUNTO"! Não é um assunto qualquer, é simplesmente o que faz o mundo girar. Faz girar as amizades, conflitos, empregos e tudo mais que possamos imaginar. Quem não tem aquele amigo mentiroso? Os meus amados amigos vão se coçar e acabar dizendo que estou especificando alguém, mas JURO que não estou! É sério, não estou mentindo!
Mentimos ao amor, ao acas...o, ao relento e aos quatro ventos.
Mentimos pra melhor passar. Mentimos pra fazer sorrir, mesmo sabendo que a mentira irá tropeçar e cair, e magoar, e ferir, e acabar com alguma coisa importante pra alguém.
Louco aquele que acredita na palavra do mentiroso. Mas temos todos um pouco de loucura, não? Então, acreditamos naquilo que queremos que seja verdade.
Mentir é sonhar com o impossível. É estacionar no tempo ao deleite dos olhos que lhe emprestam atenção.
Mentir é ser deus, mesmo que por um instante. Mentir é ser o "diabo pra mentir, esse cara"! Mentir é divinamente compreensível, assim se somos humanos.
O homem não vive sem a mulher, e faz de tudo para tê-las todas ao seu lado. O homem não mente para machucar, ele mente para possuir em maior quantidade, não lhe importando a qualidade.
Eu não sei por que a mulher mente. Ainda não encontrei nenhuma que falasse a verdade para poder ter algum parâmetro.
O homem é um tolo em achar que vai saber quando ela mente. Elas são espertas e poderosas; encantam-nos e fascinam com aquele sorriso maleficamente apaixonante.
Não que todas sejam mentirosas ou que todos os homens não prestem, mas nesse barco todos somos passageiros.
Mentir requer desejo, apreensão e aprendizado. Aprendemos e ensinamos. Queremos e desejamos. Ficamos inquietos na expectativa de saber se a mentira “colou”.
Mentimos ao nosso amor, mas não sobre ele. Quem não ama sabe o que é não mentir. Quem esteve frente a frente com um atual-ex-amor? Dizer adeus a ela, nessa situação? Jamais! Mentir e fazer sofrer é melhor do que ser visto como forte. Não mentir é humanamente impossível.
Mas há uma esperança. Um ser híbrido. Criado sem os retoques humanos. Ser naturalmente feito e refeito pelas mãos do criador. Entre mortos e feridos, nesse mundo de mentiras, ela é a única que e certeza em nossas vidas.
Não existem amigos frente a ela. Não existem amores ou desejos entre nós e ela. Não existe o pecado, nem o amargor da despedida. Não existem palavras que cheguem perto deste ser.
Mãe é uma instituição em crescente desuso. Não se fazem mais como antigamente. Comparar as mães de hoje com as de agora? Covardia. Poucas são mães agora. As de verdade são de hoje, ontem e sempre. As de agora são fabricadas pela irresponsabilidade e muitas cegam diante o desejo de serem iguais ao homem.
O homem é o ser do mal. A seta que leva a luxúria. A mulher deveria ser mãe, apenas. A mulher é e sempre será o melhor pedaço que foi tirado do homem; o único que prestava.
Feliz dia das mães? Não, não há nada de feliz nele.
Dia das mães deveria ser lembrado, pelo menos por mim será, como um dia de reflexão. Um dia que a espécie criadora de todos nós, está perdendo seu valor e nossa devoção. É o dia de quem está sendo extinta.
Estarei com minha mãe, sem abraços falsos ou presentes compensatórios. Darei a ela o que venho dando a mais de 30 anos: a verdade e minha presença, pois ela nunca me faltou ou mentiu.

Eu, por mim mesmo. Você, por nada.







Comum ao ser humano e inerente a vida, a morte é certeza dentre todas as duvidas. Ela não é chegada, é despedida. É a dor que sublima e o acaso que marca. É o vento que despe a tocha, o silêncio imponente que cala agora, mas que faz a lembrança chorar.

A morte é a ausência do bem. A estima da saudade. A protuberância da quietude. A solidez da eternidade. O ladrilhar da história. O pântano da dor e a perfídia da vida. Dela não há o que dizer, apenas comentar. Os poucos que sobreviveram, estão “aqui” por serem eternos no imaginário pessoal ou mítico.

A minha lembrança da morte é que ela não existe quando se tem outros planos para vida. Planos e conversões enigmáticas... Soletrações e repetições da vida. Mitigo a morte com o gaguejar da vida, evitando assim pensar nela de forma direta e medonha. Já temos que passar pelos espinhos da morte, então nada mais justo que saborear seu cheiro enquanto ela é vida.

Como duas metades de um mesmo plano, vida e morte se confundem. São as batidas de um coração universal. São as conclusões de um plano superior... Elas são o “porquê” disso tudo. Precisávamos passar pela vida, percorrer tudo isso e depois apenas morrer? Qual sentido dar a algo que não dura para sempre?

Viver e dar continuidade, esse é o sentido real da morte.  Deixar para trás uma rastro de boas lembranças nos outros, esse é o sentido real da morte. Plantar, colher, regar, “fazer chover”, ser único e irreal! Esses são os reais sentidos da morte.

Chegar ao fim da vida é para os fracos. Ser eterno enquanto dure?! Coisa de pessoa comum. Ser perfeito? Narcisista.

“Morrer e não ter a vergonha de ser infeliz”, esse é meu lema. Viver é para gente comum;  ande nas ruas e veja! Tenho pena da vida, ela me inveja tanto que quer me matar. A morte é minha amiga, quer-me tanto bem que todo dia me espera ao seu lado.

Um dia terei que decepcioná-las, por ter ido eu e não elas; por ter sido eu e não aquilo que as pessoas queriam que eu fosse.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O homem da lua.

Alguns bebem. Outros fumam. Todos cheiram. E cada um tem sua forma de "potencializar" ou afastar os pensamentos do mundo real. Eu apenas penso e sofro, ou sofro e penso mais ainda. Quem está livre dos vícios humanos é um fraco! Os vícios nos despem, sendo a luz em nossa alma. Iluminam nosso caminho até, às vezes, o amanhecer... Tão belo... Tão bucólico... Tão sozinho.
O vício nos... afasta das boas pessoas... Dos chatos! Da mesma forma que nos aproxima dos "bons" e dos maus. Quem não tem certos vícios, não sabe o que é ter aquela larica na madrugada... “Os vícios são legais, blz? Soh”... Quem não tem outros certos vícios não sabe o que é aquela ressaca moral e nem muito menos a orgânica. Não sabe o que é falar besteira e ter coragem na ponta dos olhos! Rico! Valente! Deitar no chão e sonhar com ela, a mulher amada...
Ter vícios é ser “demasiado humano”, mas não ter a tristeza na alma. Triste daquele que não tem vícios. Não tem amigos ou sequer inimigos. O homem sem vícios é um fraco, arrogante e desumanizado! Quem não tem certos vícios não sabe o que é ou como é o banheiro de uma festa... É lá que o homem volta ao princípio divino e”vira” pó. È lá que o homem se separa dos “meninos”. É lá que tudo gira mais rápido. É lá que a “parada” é sinistra. É lá que começa o fim.
O vício mata a realidade e com ela, morre o ser. O homem nasceu pra sofrer e só assim conseguirá encontrar seu caminho entre tantas pedras. O vício é lindo e maravilhoso, enquanto seu efeito dura. Quando o filho chora de fome, o vício não é seu amigo. Quando se vende a alma por uma “pedra”, o vício está lá, na espreita. Quando a morte, a vida e a melancolia se tornam parte de uma mesma realidade, cuidado, você está viciado.
O vício é “bom”, mas o viciado é triste.
Meu único vício é saber demais, sobre coisas que nunca provei.