domingo, 19 de setembro de 2010

Na hora é tarde.

Assim espero que nada mude;
Que menos fale que mais encurte
Que diga tudo, simples e rude!
Por menos choro, por mais virtude;

Que nade abraçadas no meu olhar!
No restrito ser do meu sabor.
Na boca aflita dessas passadas
Esqueça tudo e não diga nada.

Assim espero que chegue à tarde
E que a tarde chegue pra te levar.
Com a boca limpa, coma tua roupa,
E que seja pouca como o teu amor.

Não chegue tarde... Lembro um poema,
Que falava de amor, onde eu morria...
No frio da tarde da noite fria
Eu passo dor com meus problemas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mulher,

Andei pensado em suas flores,
E seus espinhos que me matam.
Matam com e cem mil dores!
Matam,e não só apenas matam.

Mentem, pois querem rir de mim!
Sofrem, ao achar melhor assim.
Beijam e com seu suor meticuloso
Enganam num falso gozo...

Como é que se chama isso?
Verdade?! A sua é falsa.
A minha é dolorida.
É tortura, é dor ferida.

É suor de trabalho perdido
É mais que um amor esquecido!
É figura insistente e malvada.

Se queres mesmo ser amada,
Vai procurar noutro jardim,
Já que o amor, pra mim, é rosa,
É suor envolvente

E não apenas uma dor mentirosa
Que todas contam pra gente.

sábado, 14 de agosto de 2010

Solares.

Nunca pude velejar:
Não tinha sol não tinha mar,
Nem vinha vento, nem vinha gente...
Nem amor, chovido, tinha em frente
Seguir, e permanecer me olhando
No espelho da água, viva!
Será o mar? Serei eu o vento?
Não vou passar em esquecimento.
E nem cair em desuso?
É meu o sol e ele lá.
É meu o sol e ele cá.
É meu mar! É meu o mar!
Vem me roubar.
Tirar do esquecimento!
Vem me levar pra perto d’onde está!
Vem, meu desaguar,
Matar minha sede...
Não tinha vento e nem gente vinha,
Pois eu quis olhar a vida
Sem que ele pudesse me olhar.
Não tinha sol, nem sol conhecia,
Pois eu quis secar o mar
Com o sol do acontecia.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Ainda ontem... chorei de... saudade.

É engraçado sonhar acordado,
Como se todos tivessem vivido
Cada um dos dias... Coitado,
Até hoje vive esquecido,

Da dor que lhe matara,
Do amor que lhe parira!
Do sonho que lhe incomodara...
Ainda hoje lhe sobra ira.

É assim vê-La em outro domo.
Noutro abraço espremida.
Brindando com o meu abandono
O amor, morta de vida!

E mesmo no aparente soar,
Do caçoar e dos retalhos,
Continuas como se me deixar

Ainda fosse um recurso,
Impossível de mudar
E infalível em seu curso.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A quem possa interessar.

Negra, enquanto orvalho a dor,
Preterida fonte de acalento,
Faz de mim o teu contento,
Pois outro amor não há.

Rosa, faz perfídia rosa.
Diz que tenho o que te falta;
Agrada com riso, maltrata.
Na mesma hora faz passar.

Vento, entristecido e claudicante
Vem me espera, vem perdido!
Vem parar a minha sede!
Vem clamar o que não digo.

Vem surtar na noite adentro!
Vem roçar, sou teu paiol.
Vem viver mesmo com medo
Na brecha pequena do meu lençol.

Que não reprime teu gemido.
Nem mesmo te esconde do amor.
Sei que não sou tão vivido
Para entender o que não sou.

Mas o que quero nessa morada
É tão claro quanto o breu:
Quero amor e dar a amada...
A quem não tenho, sempre seu.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Engana-te se pensas o que sou.

Vou soprar meu barco rumo norte;
Procurar saltar no vasto resquício,
Pois ao sul, do sol, irei rever a morte
E sua imensidão azul de precipício.

Bem que fosse cavalgar no sombrio
Sem enxergar as partes mórbidas,
Correndo de fronte; batendo de frio,
Nas dunas paradas do coração.

Que vive sim, que vive não;
Que sente vir , que sente paz;
Que vai assim, e pra nunca mais.

E por mais uma vez deixar existir.
Deixar a dor vagarosamente me levar
Ao relento... Ao esquecimento.

Que morre sim. Que sofre em mim.
Que é som sombrio. É frescor.
Vou soprar e nunca mais voltar
Ao sabor amargo do meu amor.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

De volta.

Pelo rio: um mar incontável e forte;
Pela margem: salutar sombra gentil,
Prestes a partir e tudo consigo
Levar antes quem dera abrigo
Ao passo de quem ofertara a morte.

E nesse orvalho torpe e destemido,
Carregada alma mais um belo fardo
Qual prestado de ser menos amargo
Réstia profunda de paixão divina.

Rica prece, pobre e de sabor discreto,
Rouba-me o ar que flui covarde
Réstia da desordem, viva e sem coragem
Teu amor destrói temendo ser tarde.

Quantos passos ainda oferecidos?
Tantos outros ainda a serem dados.
Traz o afago, a mim que já vou perdido
Ao constante mundo do incontestável.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Parabéns!

Quando pequena, ainda vento,
Era um botão de uma minha rosa.
Em tão lindo dia, então formosa,
Rompeste a flor do nascimento.

Em clara noite, vendo teus passos,
Ainda os primeiros da jornada,
Dá-me a lágrima, linda fada,
O condão do amor feito de aço!

Feita de mim! Feita por nós, amor...
Meu bem-querer de tanto verso;
Tanto que o tempo perverso
Tenta, sem sucesso, causar-lhe dor.

Quando pequena, o bebezinho.
Depois menina e não mais criança.
Adolescente e sem “esperança”,

Quando adulta sabe o que quer.
Brota no rosto a vontade, ainda,
De ser a mais linda flor de mulher!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ensinar-me-á.

Terra árida se faz com desespero.
Sem fim é lúdico o explicar decente.
Cobre-me os pés de lama e nevoeiro
No faz-de-conta a sombra do vivente.

Água pura em pedra de rocha batida
Paupérrima sobra de amor divino.
Deus, santo que falha e castiga,
Olha quem perdeu... Dorme sem destino!

Não dá castigo, ele já sofre tantos.
Suor é vago, e dor beneficência.
Olha pelos que não foram santos
E todos os que estão em decadência.

Caídos descompassadamente,
Perdoa-lhes os passos, dá-lhes induto.
Árvore ruim, fruto e semente...
Nessa ordem, fator não altera produto.

sábado, 3 de abril de 2010

Meia-boca.

Quando o mar sopra meu sono
É pra avisar que a noite chega.
Vou do acalento ao abandono
E a noite clara vira negra.

Minha lembrança espatifada,
Sem entender que acontecia,
Foi deixando a boca calada
Sem saber que amor viria.

Seu colo não é mais estada!
Sua boca?! Perdida alegria.
Nas nuances da madrugada
É dor, exatidão e apatia.

Minha rima exacerbada
Carece de ter algum sentido,
Pois vejo, enquanto divaga,
O luar dos esquecidos...

Essa lua inda ontem bela,
Fez sentido como nunca antes,
Vi nos olhos de quem zela
O choro perdido e navegante.

Venha comigo ao deslumbro
Raiar da última morada!
Veja o sol enquanto sucumbo
À sinuosidade da estrada.

Não é de dor, lacera a demora,
Nem de frio que me inquieto.
É de amor, o mais extremo,

Que meu corpo por ti implora.
Implora tanto que desperto
Para outro dia que não lembro.