sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sei mais que o Lula.


 

Seria falta de obviedade saber o que todos pensam, mas o senso comum e o meio termo, remetem-me a uma simples e singela constatação: Somos todos igualmente diferentes na medida contrária do nosso interesse.

É, também, um claro desperdício do meu tempo e da sua atenção ler isso, mas fico feliz em ser assim, tão diferente. Todos esses dias, sazonalmente políticos, damos-nos as mãos e afiamos as palavras na tentativa de nos convencer da vitória e de engajarmos o maior número possível de simpatizantes por nossas ideias.

Em nossa cidade não existe ideologia, existe uma luta entre o bem e o mal; o mal, que para alguns é divino, e que para outros é profano.

Já o Ben é 10! Ou o bem não é 10, é despreparado e comandado, como se todos não fossemos...

De um lado o mal, mas preparado, que prega está sendo perseguido e fuzilado, de baixarias e notícias falsas! Para muitos, o TRE-CE mente diariamente por colocar em seu site a situação do candidato Ilário Marques como sendo de impugnação.

Ele, como advogado que é, já deveria ter esclarecido o porquê de tal situação. Ter esmiuçado tais alegações do TRE-CE. Já que ele está apto a fazer campanha normalmente, contribuiria bastante com a população, em parte leiga, a fazer tais alentos jurídicos.

Do lado de cá, dizem termos um candidato leigo administrativamente; uma pessoa que veio do nada, assim como o outro candidato, mas que não conhece os “tentáculos” do poder... Isso é bom ou é ruim? Doutor Rômulo conhecia o poder? Não, mas mesmo assim o candidato Ilário Marques pôs o povo a acreditar nele...

Como é isso? Como é que eu não consigo entender isso? Fácil entender e difícil de explicar... Fácil entender porque o interesse agora existe em desacreditar a ingenuidade política do Ben 10;

Antes, o outrora fantástico médico Rômulo, era a esperança vermelha de continuidade do PT em nossa cidade. O povo seguiu em colunas medievais, em busca de levar ao trono o “Czar” aristotélico... Viajei?! Demais, mas não tanto quanto o povo.

Ilário, como hoje o fará em nome próprio, aqui na praça do alto são Francisco, bradava, na mesma praça a 4 anos atrás, aos 4 cantos que estaria ao lado do inexperientes médico. Gritava a todo fôlego, quase a não deixar o Rômulo falar...

E no amanhã do próximo ano, será assim com o João Hudson, o homem da sapataria? Não, pois o João é uma pessoa sincera.

João não foi a faculdade de medicina e voltou para o hospital para salvar vidas. Ele não pôs a mão no peito e disse: “Nesse, vocês podem confiar”, como fez o vosso Ilário, em detrimento ao  povo e a favor de continuar no poder.

 João veio do nada, assim como Ilário veio;  mas João 10 não passou pela faculdade de Direito, então assim, não aprendeu a mentir. Ele é sincero, assim como o povo.

Esses dias lemos, quem quis, a carta do vosso presidente Lula ao povo quixadaense. Lula é um trabalhador que veio do sertão. Não passou pela faculdade de Medicina, nem de Direito, mas passou muito tempo no poder, e o poder corrompe e pede para corromper. Lula aprendeu a mentir e a andar com mentirosos. Qual valor tem o povo quixadaense para Lula? Números, apenas. Irresponsabilidade dividida com quem propaga tal carta. Só que aqui, ele esquece, somos pessoas e não papéis e muito menos números.

Ah, mas o Lula conhece o Quixadá e já veio aqui “N” vezes! E eu que moro aqui, e sempre morei, não serve de nada a minha opinião? Para alguns, não.

Minha carta, essa, não terá seu conteúdo copiado para os anais da literatura mundial. Mas duvido que eu não fale a verdadeira realidade, e saiba mais dela do que alguém que está a milhares de Km daqui!

Se o povo quer quem mente e engana, tudo bem. Se o povo quer quem está nas páginas da justiça, ok. Se o povo quer quem erra e é perdoado, após ter sido apunhalado pelo inexperiente médico, ta legal. Se o povo quer ficar cego, surdo e louco, quem sou eu para relutar.

Mas se o povo quer pensar, refletir e saborear uma nova tentativa de mudança, a mudança é verde. A mudança é a cor da esperança. A mudança é a inocência do homem pobre que venceu na vida honestamente. A mudança é agora. A mudança é 10.

O povo é soberano e saberá escolher se quer mudar. Respeito todo e qualquer voto, a favor ou contrário ao que penso. Mas espero que leiam, pelo menos alguém leia. Se eu mudar um voto estarei infeliz, pois quero mudar minha cidade.

Essas palavras não chegaram ao imaginário de todos, mas ficarão guardadas, caso vocês errem novamente, para as próximas eleições. E eu, estarei aqui, não dizendo “ bem que eu falei”, mas dizendo e continuando: Acredite no inocente, pois ele assim será, até provem o contrário.

domingo, 19 de agosto de 2012

Nel mezzo del camin... (Olavo Bilac)


Toda e qualquer tentativa de entender o desumano ser humano, será em vão. Mas uma coisa é certa, de tal animal, ele sempre está perdido.
Quem conhece ou já pode ler alguma coisa de Olavo Bilac não pode se abster de ter em mente o poema: "Nel mezzo del camin..." . Para mim, é de longe, a marca da perfeição em sua obra. É um poema que eu tenho em mente todos os dias. Faz-me ir e vir ao encontro do nada que povoa as intempéries cotidianas. 
Tentar entender o poeta é um erro clássico de quem ignora a própria ignorância. Relutar de que nada sabemos é um erro fático e pontual da ignorância alheia. A coletiva e resumida promessa de dias melhores, não existe no mundo real. Por mais que façamos, muito pouco é feito e todo acontecimento é pautado pelo feito dos olhos alheios e pelo caminho já seguido antes.
Muitas vezes incomoda o fato das palavras terem esse poder de "chegar" a qualquer lugar, mesmo que a realidade não seja essa, a das palavras. O rico é cheio de pavor do pobre, assim como o pobre não esquece o tanto que trabalha para ser o que é.
"E triste, e triste, e fatigado eu vinha..." Podemos parar de súbito na estrada, mas nem sempre a minha presa será a de quem não me entende. A minha parada poderá ser mental, enquanto a do outro poderá, ser, para observar quem parou...
Entender é como um poema: Não se faz perfeitamente. O poeta é louco e sem "tempos" neste mundo. Tudo que escreve é irreal aos olhos de quem o observa, e só ele sabe o porque de ter parado; apenas ele sente o "desnecessário" momento de pensar: "Tive da luz que teu olhar continha."
"Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida..." Não há ser que não possa entender a dor ou a alegria; podemos ignorar "longos anos", mas nunca "pressa à minha". O ser humano é caótico e "solitário", precisa de "agoras" e não de "amanhãs".
Toda dor é latente e todo amor é passado.
Todo olhar é pra frente quando o amor está ao lado.
Toda face é despercebida, quando não quero ter
Mais que outro olhar de amor, que não seja você... "E eu, solitário, volto a face, e tremo... Palavras fazem circulos e amores os desfazem; palavras matam verbos e amores o conjugam. A vida é o poeta vivido ou o sonho desperdiçado. Entregar-se ao óbvio é parar sem motivo são, e são são os abismos do pensamento do poeta: Ele sabe o que quer.
"Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo."
Podemos embora, mas jamais seremos esquecidos pelo tempo. O tempo é ouro e o ouro é eterno, assim como os olhos que brilham feito diamante. Assim se faz uma parada nesse mundo; um mundo onde o poeta eterniza o dia-a-dia do homem comum, que tem como única riqueza a vontade de mudar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Boa noite...


É assim, no escuro do quarto
sem ver o que me rodeira,
mas sei que lá está.
Está sem perceber,
está sem ao menos pensar,
mas sei, está lá.
Dormindo... Não.
Pensando, talvez.
Sendo o que sempre foi.
Não é nada,
dizem todos.
E talvez não seja!
Será tarde pra acordar?
Um tanto cedo pra perceber
que nada vai mudar.
Tudo pode, mas não vai...
Será, serei
e quando as luzes me virem terei ido.
Mudado de sentido,
perdido e sem voz
de tanto que gritei em vão.
Eram apenas paredes quebráveis,
Sonhos sem sentido
e alguém dormindo...
Mas porque eu?
Logo eu...
Enfim, serei melhor amanhã.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

REFLETIR


Não poderia ser um espelho, seria um reflexo sem forma; 
não poderia ser o futuro, pois não teria passado; 
não poderia ser o escuro, e repleto de lágrimas,
esconderia-me das pessoas que precisam me entender.

Não poderia dar dois passos, seria um por vez;
não poderia dar a mão, seria cada um por si;
não poderia dar o meu melhor, pois ressentido de mágoas,
mostraria o que não sou e o que preciso ser.

Não posso voltar, é improvável;
não posso seguir, é desumano.
não posso deixar de crer,
que refletir trás o que não pode existir.

Não tenho forças, é humanamente possível.
não tenho sonhos, é tarde demais.
não tenho duvidas, e assim vou vivendo,
de que nada acontece se Ele não permitir...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Meu livro, eu.



Não tenho por mim me visto
tão ultimamente, assim, desconfiado.
Não sei se pelo que insisto,
ou pelo que não tenho tentado.

E num sonho, tão imprevisto,
não caio, não pulo e nem ensaio.
Sou um viajante que me reconquisto
a cada soneto improvisado.

Não me escondo e nem preciso,
tão escondido que sou inexisto.
Minha forma ninguém entende.

E se sou o que não sou, improviso
naquilo que não tenho disto,
e em tudo aquilo que me compreende.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O rei da razão.



"Não me canso de falar que te amo
E que ninguém vai tirar você de mim
Nada importa se eu tenho você comigo
Eu por você faço tudo
Pode crer no que eu digo..."

Ah Roberto, mah, para com isso... E é assim que é aqui, os fanáticos esquecem dos erros e simplemente amam. O amor, esquecem-se eles, é egoísta; não vê obstáculos, nem o feio enxerga. Só existe o belo e seu canto amoroso. Dos menos favorecidos aos mais abastados, tudo é love love love! Ama-se tudo, a qualquer hora e a qualquer tempo! As pessoas são frágeis demais, se enganam com qualquer um...
A nivel municipal, eleitoral e prosopopéico (só pra sacanear), pois aqui falamos de um ser quase mitológico, o amor é algo religioso É assim que a pobre, mas sofrida, população vê o candidato que teve sua candidatura impugnada pela justiça eleitoral; a maioria o vê como um grande amor, um amor incondicional. Fazendo assim é muito simples abrir um paralelo diante a toda e qualquer situação que envolve o amor e a irracionalidade.
Meu querido candidato João Hudson Rodriguês, esse texto é pra você e tenho certeza, pois tenho que acreditar que o meu amor é pela cidade e não pelo candidato!
Um amor não pode ser destruído por ninguém, e a maioria ama o outro candidato! O seu papel é bastante simples: Não adianta tentar mostrar a maioria que o outro não isso ou não aquilo,  ou que o outro não presta; você, para ganhar dele, tem que substituí-lo no coração do povo! É simples ver, mas muito complicado de se executar.
Mas a "tática" do outro lado tem uma grande falha: O amor do povo, por ele, é um paixão amorosa, como se qualquer erro ou qualquer aventura, pudesse ser perdoada sem castigo. E o erro é justamente ai, um amor maior existe do que esse amor apaixonado; um amor lento e cativado pelo exemplo de vida; um amor nítido e sem desculpas ou defesas; um amor familiar a quem cria sua prole; um amor filial.
Ao pai caba acolher o filho no erro, e o povo vem errando todos esses anos com essa paixão desenfreada e irresponsável. A cidade vem pagando com a perda de tantos benefícios, que somente as grandes festas podem esconder! O povo está revoltado e cego. Em terra de... Quem tem... É rei...
Nessa eleições eu tenho duas opções: Votar em quem nunca votei, ou votar em quem nunca foi votado. E ai, fácil né? Ele eu sei quem é e todo mundo sabe, é o cara das multidões, das festas, das colunas milionárias, das luminárias voltadas para o mato no estrada para o cedro, dos favorecimentos, da maracutáia, pelo menos é o que diz a justiça, e de tudo mais que represente o atraso e a enganação.  Praticante do Fisiologismo político! Ele teve a oportunidade de fazer e não fez. Aqui no alto são francisco, onde moro, se me mostrar uma obra em todos esse anos eu voto nele! Nada, nada, nada.
E você João Hudson, está preparado para ser o pai do povo? Eu estou me preparando para seguí-lo por 4 anos. Já sei o que o outro é capaz... Coisas boas não são. Você João Hudson, se vai ajudar o povo ajude logo, começando a tirar essa pedra do sapato do povo que contente com a dor que ela causa, tem medo de tirá-la. O povo está cego de amor e você como um pai sofrido e cuidadoso com seus filhos, há de por moral na maioria!
Ele está nas cordas, pronto para ser derrubado. Um empurrão e já era. Tire seus "filhos" da sala, João Hudson, e aplique uma "surra" moral nele! Você é honesto; ele é? Você é trabalhador; ele é? Você vem do povo... E ele também veio, mas você não traiu o povo e ele sim. O povo está traído e cego pela paixão. Cabe a você chamar seus "filhos" e cidadãos, e  lhes mostrar que o verdadeiro amor deve ser pela família e não por uma paixão sem freios.
Quixadá teu povo morre sem saber porque; teus filhos lutam sem querer. Teu suor é farpa que queima na noite fria; tua vida está perto de ter grande alegria.
Quixadá já foi uma grande cidade, hoje está "mais menor" do que algum dia foi. Hoje o povo, novamente, pode querer mudar, mas só com força de vontade e dignidade.
João Hudson, o teu povo precisa de aplausos e não de foguetório.
" Quem espera que a vida seja feita de ilusão,
pode até ficar maluco ou morrer de solidão.
É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer,
é preciso saber viver.
Toda pedra no caminho você pode retirar;
numa flor que tem espinhos você pode se arranhar.
Se o bem e o mal existem você pode escolher, é preciso saber viver..."

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Divagar"


Com os dias que passam, a máquina humana tritura suas emoções e lembranças. Faz, muitas vezes, de conta que algumas coisas não passaram ou não a fizeram sofrer. Mas dizem que não somos máquinas, somos assemelhados. Também dizem que temos um destino, um carma de outra vida a cumprir. 
Diz muita coisa a sabedoria popular; diz que a voz do povo é a voz de Deus. Não gosto de usar deus como Deus. Não gosto de me apropriar de coisas que não entendo. 
Não gosto de azares, contos antigos, amuletos ou qualquer tipo de superstição. Também não gosto de arrependimentos, ou erros repetidos infinitamente. Já não é muito uma vida toda para se arrepender? O destino trata de nos mandar para aonde pertencemos e não onde devemos ficar. Não gosto do destino. Não sei destinar minutos ao acaso ou ao relento. 
Com os dias que passam, a máquina humana se enferruja com seus sentimentos e lamentações. Pessoas ficam para trás, seguem seu destino. Lembranças e suores; rumores e a vida que passa... Tudo fica para trás e só o que fica para trás é que é realmente real.
Dizem que não existem dias iguais, mas existem. Todos são iguais. Nossos arrependimentos são tão lamentosos a cada dia que deles esquecemos a toda e qualquer nova dor. Causamos o destino e dele somos a causa. Tenho azares, mesmo não gostando deles! Já escutei milhares de contos. Já tive meu lugar preferido para que a sorte chegasse! Já estive procurando um trevo de quatro folhas. Já procurei Deus. Senti-me semelhante. 
Não fui de ficar olhando para o sol ou contando as estrelas, mas já pensei que tudo isso tem um fim...
Já é muito uma vida toda de arrependimentos; eu tenho os meus, vocês os seus, mas ninguém sabe onde estão os de deus.
Já tive dias melhores, mesmo eles sendo todos iguais. Já tive dias piores, mesmo que deles não lembre mais. Já tive olhares únicos e destinos dos mais diversos. Já tive certas escolhas ao fazer as escolhas certas.
Já tive azares que se modificaram e me fizeram feliz. Senti-me igual. Sou igual. Posso ser mais? Não. Nunca poderemos nos superar. A superação é algo absolutamente improvável. Mas mesmo as coisas mais absolutas tem seu dia de glória. Um dias as coisas mudam... Um dia o destino se cumpre. Um dia o arrependimento surge; noutro o destinos no beija a face, e mostra que esteve ali, sempre com você. No final, quando as luzes estiverem fracas, poucas estrelas virão lhe ver. Mas todos os olhos que te admiraram estarão lá, mesmo que seja na Tua lembrança.

sábado, 14 de julho de 2012

Nem tanto. Portanto...





As pessoas são objetos de estudo dos mais variados temas e suposições. Mas uma coisa elas tem que ter em comum: serem elas mesmas, mas sem deixarem de ser normais. Diferentemente iguais em forma, mas igualmente diferentes em reação. Não é a toa que tudo está como sempre esteve: indefinido.

Há de se sonhar com um mundo perfeito, onde os sonhos são simples singelos e jamais acabam! Onde as pessoas se congratulem em religião, preconceitos e necessidades das mais variadas. Um mundo correto; um mundo fraterno e ao mesmo tempo singular.

Dá para ser assim? Não, nunca será.

A dor tem que existir e da mais diversas formas. O homem tem que evoluir com a dor e dela tirar sua forma de ser e de reagir aos estímulos do mundo. Ninguém pode se afastar ou se isolar de tudo isso, pois assim sendo, não seremos mais sociais, e sim, Neandertais.

Os filósofos procuram divagar sobre suas próprias consciências e necessidade; eles veem o mundo com os olhos de quem vê o sol em pleno dia. Os pensadores não sabem mais de mundo que nós mesmo, os meros e tolos mortais.

Os médicos, curandeiros ou afetivo-psiquicos, são impulsionados pela perspectiva da necessidade e ensinados a prever e prescrever nossos caminhos. Não sabem mais do que nós, pois não são capazes de evitar o inevitável.

De que me serve viver melhor e enfrentar os medos, se tudo terá o mesmo fim? De que me serve escolher entre tantos modos de viver, se tudo dá no mesmo?

Uns tem fé, e outros tem a si mesmo. Mas ninguém acredita em nós mesmos; somos incapazes de vivenciar de forma pura e cristalina, todas as mazelas da vida, assim como também suas felicidades.

Não existimos para sermos eternos e nem para sermos perfeitos. Existimos assim, somos "assado", vivemos de qualquer jeito. Não, não fomos ensinados dessa forma.

Trazemos na mente todas as páginas do livro humano da organização; de como temos que ser e como temos que nos determinar diante nossa infimia linha da vida. Os pormenores são apenas contratempos sem lógica. Perceber que as nuances é coisa de louco ou perda de tempo, ou até mesmo uma bela viagem ao esquecimento...

Somos coisas e não pessoas. Sou humano e não uno.

As pessoas são objetos de sua própria história e de sua imprópria vida. Destacamos-nos em todas as partes do mundo, principalmente no tocante enganatório do irreal. Insisto em prever nosso fim, sem se quer saber o porquê de estarmos aqui. A vida é feita de grandes e minuciosos estudos, mas o principal estudo não existe: O porquê de tudo não existir.

Divagamos, curamos, sociabilizamos, mas não abstraímos. Não nos dotamos do paradoxo da inexistência. Nunca achamos que estamos perdidos para sempre, pois no sempre, há uma esperança. O ser é tão infinito quanto sua história é passado. Não somos, pois nunca existimos em um tempo tão pequeno, frente a imensidão universal.

Passamos a existir pelo complexo fato biológico do nascimento, mas antes disso houve infinitos acontecimentos para que nós “acontecêssemos”. Incrível pensar em tanta coisa e não desistir na hora que se toma consciência de tudo! E pior, não sabemos de nada. Estar aqui foi por causa disso, que deu causa aquilo, que acabou sendo nós.

Com o tempo e com mais afazeres, deixamos o mundo seguir seu rumo; a vida seguir suas vontades. Nesse meio tempo, apresentam-nos algumas escolhas e isso chamam livre-arbítrio. Se livre fôssemos, não nos sujeitaríamos a censura da opinião diversa. Por mais que tentemos nos abstrair, não podemos, pois não é assim que as coisas são.

Queria voar e com os pássaros sentir que eles não sentem nada demais. Queria saber o que os animais não sentem. Queira não existir pelo tempo, como as montanhas inexistem. Mas não podemos ser aquilo que os fatores do acaso decidiram por nós. Não temos espaço suficiente na vida para abstrair na reflexão. Somos escravos dos dias e do pouco tempo que dispomos para nos mantermos vivos... Muitas vezes, viver parece apenas uma forma de morrer de uma forma melhor.

Os pensadores, e seus imbróglios psicológicos, são médicos que não curam, mas que fingem saber que as respostas estão na não existência do porque da pergunta. O homem não deveria existir, assim como os pássaros deveriam sentir vontade de serem eternos. O homem é uma causa sem causa, um abismo cheio de porquês; é uma pergunta ambulante que não deve ser respondida, apenas vivida. Somos nada além disso que não vemos, o infinito.

O homem é uma falsa verdade que com o tempo simplesmente se aperfeiçoou no que de melhor podia, que é a sua vontade de ter razão para existir.

domingo, 8 de julho de 2012

Diferentes olhos.



Não são teus, eu sei, nem de quem te inventou.
São da vida e dessa eu tenho pena.
Nem os olhos mais lindos viram quem te levou,
E ainda sim espera por outros problemas.

Não são meus, nem sei, os poemas sem graça.
São da vida, errante, tosca e plena.
Nem a boca mais sabia diria tanta desgraça
E ainda sim, não passaria por tantos dilemas.

Não são nossos, sabemos, nem das nossas alegrias.
São da vida as lágrimas e as despedidas.
Nem os olhos mais cansados deixariam de ver

E ainda sim, e por todo sim, amariam você.
Não são eles, sabem que sim, tão preteridas.
São da vida, dos anceios e dos dias.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A jornada dos ossos.


 Fazem parte da nossa rotina e de nossas vidas. Os cachorros são quase ou mais humanos do que nós. Precisam de quase ou mais tudo que nós. São dóceis e imprevisíveis. Cada cachorro tem seu style ou seu jeito de não ser.
Mas eles têm a pior das qualidades do homem: morrer. Um dog sem raça mas com jeito de cachorro grande; e ele é grande! Enorme! Rabugento... Mas não quer mais viver. Perdeu a força vital; a sua fonte da vida secou. Ele é apenas uma sombra do que era. Não há veterinário que cure a falta de vontade em viver. Ele está e é velho! São mais de 12 + 1 anos de vida! É assim que me lembrarei de sua idade, 12 + 1.
Quando aqui chegou, ainda com 2 meses de idade, pegou pela frente logo um comício. Adivinhem de quem... 1999... Pois era um grande e "festeiro" comício. Foguetório pra ensurdecer até quem não escutava bem. O pobre... Todo se tremendo... Mal sabia ele que iria ficar traumatizado com fogos! Os fogos passaram, e o candidato, infelizmente ganhou e não passou. Não era pra ter ganhado? Era, pois a maioria assim quis, mas por mim... Por Spock...
Hoje os fogos não o incomodam mais. Ele mal escuta, está velho e cansado de tanto sofrer. Quando ainda novo, pegou uma tal de virose. Parece coisa de gente, mas não é. Foi tratado e medicado como um ser vivo que precisava de cuidados. Mas ele não sabe que nem humanos tem o tratamento que ele teve, sempre.
Parei um pouco de escrever agora. É difícil falar e não se emocionar. É e está sendo difícil não vê-lo comer nem beber água. Spock está no fim, no fim de sua jornada, a jornada dos ossos. Não tem mais forças pra quebrá-los, pois está sem vontade, sem alegrias... Eu entendo ele, pois também já fiquei sem rumo, sem forças, sem vontade. Mas ele não tem consciência da vida; eu tenho.
Por mais de 12+1 anos coloquei sua comida e água! Todos os dias, com poucas exceções. Não está sendo fácil pra mim, mas imagine pra ele. Ele não tem mãe pra segurar sua pata... Ele só tem a mim e eu a ele. Não era pra ser assim Spock, você não poderia fazer isso comigo. Mas é a vida, uma vida de cão. As pessoas vivem para verem os outros morrerem.
Um dia lembrarei-me de você como alguém que se foi; alguém que nunca mais vai voltar. Saberei que fora um cachorro legal, gente fina demais! Eu pude lhe contar meus segredos, mas nunca soube dos seus. Dos gatos que matou, das dores que sentiu ou sobre as cadelas que nem mesmo chegou a conhecer... Isso mesmo, ele passou a vida sem saber o que era viver. Mas acho que não dará muita importância para isso, pois não tem como sentir falta daquilo que não conhecemos.
É assim que tento prestar minhas homenagens a quem ainda não se foi; alguém que nem mesmo era alguém, mas um cachorro que foi tratado como gente, mesmo sem nunca ter sido um de nós.