Nunca pude velejar:
Não tinha sol não tinha mar,
Nem vinha vento, nem vinha gente...
Nem amor, chovido, tinha em frente
Seguir, e permanecer me olhando
No espelho da água, viva!
Será o mar? Serei eu o vento?
Não vou passar em esquecimento.
E nem cair em desuso?
É meu o sol e ele lá.
É meu o sol e ele cá.
É meu mar! É meu o mar!
Vem me roubar.
Tirar do esquecimento!
Vem me levar pra perto d’onde está!
Vem, meu desaguar,
Matar minha sede...
Não tinha vento e nem gente vinha,
Pois eu quis olhar a vida
Sem que ele pudesse me olhar.
Não tinha sol, nem sol conhecia,
Pois eu quis secar o mar
Com o sol do acontecia.
sábado, 14 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
Ainda ontem... chorei de... saudade.
É engraçado sonhar acordado,
Como se todos tivessem vivido
Cada um dos dias... Coitado,
Até hoje vive esquecido,
Da dor que lhe matara,
Do amor que lhe parira!
Do sonho que lhe incomodara...
Ainda hoje lhe sobra ira.
É assim vê-La em outro domo.
Noutro abraço espremida.
Brindando com o meu abandono
O amor, morta de vida!
E mesmo no aparente soar,
Do caçoar e dos retalhos,
Continuas como se me deixar
Ainda fosse um recurso,
Impossível de mudar
E infalível em seu curso.
Como se todos tivessem vivido
Cada um dos dias... Coitado,
Até hoje vive esquecido,
Da dor que lhe matara,
Do amor que lhe parira!
Do sonho que lhe incomodara...
Ainda hoje lhe sobra ira.
É assim vê-La em outro domo.
Noutro abraço espremida.
Brindando com o meu abandono
O amor, morta de vida!
E mesmo no aparente soar,
Do caçoar e dos retalhos,
Continuas como se me deixar
Ainda fosse um recurso,
Impossível de mudar
E infalível em seu curso.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
A quem possa interessar.
Negra, enquanto orvalho a dor,
Preterida fonte de acalento,
Faz de mim o teu contento,
Pois outro amor não há.
Rosa, faz perfídia rosa.
Diz que tenho o que te falta;
Agrada com riso, maltrata.
Na mesma hora faz passar.
Vento, entristecido e claudicante
Vem me espera, vem perdido!
Vem parar a minha sede!
Vem clamar o que não digo.
Vem surtar na noite adentro!
Vem roçar, sou teu paiol.
Vem viver mesmo com medo
Na brecha pequena do meu lençol.
Que não reprime teu gemido.
Nem mesmo te esconde do amor.
Sei que não sou tão vivido
Para entender o que não sou.
Mas o que quero nessa morada
É tão claro quanto o breu:
Quero amor e dar a amada...
A quem não tenho, sempre seu.
Preterida fonte de acalento,
Faz de mim o teu contento,
Pois outro amor não há.
Rosa, faz perfídia rosa.
Diz que tenho o que te falta;
Agrada com riso, maltrata.
Na mesma hora faz passar.
Vento, entristecido e claudicante
Vem me espera, vem perdido!
Vem parar a minha sede!
Vem clamar o que não digo.
Vem surtar na noite adentro!
Vem roçar, sou teu paiol.
Vem viver mesmo com medo
Na brecha pequena do meu lençol.
Que não reprime teu gemido.
Nem mesmo te esconde do amor.
Sei que não sou tão vivido
Para entender o que não sou.
Mas o que quero nessa morada
É tão claro quanto o breu:
Quero amor e dar a amada...
A quem não tenho, sempre seu.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Engana-te se pensas o que sou.
Vou soprar meu barco rumo norte;
Procurar saltar no vasto resquício,
Pois ao sul, do sol, irei rever a morte
E sua imensidão azul de precipício.
Bem que fosse cavalgar no sombrio
Sem enxergar as partes mórbidas,
Correndo de fronte; batendo de frio,
Nas dunas paradas do coração.
Que vive sim, que vive não;
Que sente vir , que sente paz;
Que vai assim, e pra nunca mais.
E por mais uma vez deixar existir.
Deixar a dor vagarosamente me levar
Ao relento... Ao esquecimento.
Que morre sim. Que sofre em mim.
Que é som sombrio. É frescor.
Vou soprar e nunca mais voltar
Ao sabor amargo do meu amor.
Procurar saltar no vasto resquício,
Pois ao sul, do sol, irei rever a morte
E sua imensidão azul de precipício.
Bem que fosse cavalgar no sombrio
Sem enxergar as partes mórbidas,
Correndo de fronte; batendo de frio,
Nas dunas paradas do coração.
Que vive sim, que vive não;
Que sente vir , que sente paz;
Que vai assim, e pra nunca mais.
E por mais uma vez deixar existir.
Deixar a dor vagarosamente me levar
Ao relento... Ao esquecimento.
Que morre sim. Que sofre em mim.
Que é som sombrio. É frescor.
Vou soprar e nunca mais voltar
Ao sabor amargo do meu amor.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
De volta.
Pelo rio: um mar incontável e forte;
Pela margem: salutar sombra gentil,
Prestes a partir e tudo consigo
Levar antes quem dera abrigo
Ao passo de quem ofertara a morte.
E nesse orvalho torpe e destemido,
Carregada alma mais um belo fardo
Qual prestado de ser menos amargo
Réstia profunda de paixão divina.
Rica prece, pobre e de sabor discreto,
Rouba-me o ar que flui covarde
Réstia da desordem, viva e sem coragem
Teu amor destrói temendo ser tarde.
Quantos passos ainda oferecidos?
Tantos outros ainda a serem dados.
Traz o afago, a mim que já vou perdido
Ao constante mundo do incontestável.
Pela margem: salutar sombra gentil,
Prestes a partir e tudo consigo
Levar antes quem dera abrigo
Ao passo de quem ofertara a morte.
E nesse orvalho torpe e destemido,
Carregada alma mais um belo fardo
Qual prestado de ser menos amargo
Réstia profunda de paixão divina.
Rica prece, pobre e de sabor discreto,
Rouba-me o ar que flui covarde
Réstia da desordem, viva e sem coragem
Teu amor destrói temendo ser tarde.
Quantos passos ainda oferecidos?
Tantos outros ainda a serem dados.
Traz o afago, a mim que já vou perdido
Ao constante mundo do incontestável.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Parabéns!
Quando pequena, ainda vento,
Era um botão de uma minha rosa.
Em tão lindo dia, então formosa,
Rompeste a flor do nascimento.
Em clara noite, vendo teus passos,
Ainda os primeiros da jornada,
Dá-me a lágrima, linda fada,
O condão do amor feito de aço!
Feita de mim! Feita por nós, amor...
Meu bem-querer de tanto verso;
Tanto que o tempo perverso
Tenta, sem sucesso, causar-lhe dor.
Quando pequena, o bebezinho.
Depois menina e não mais criança.
Adolescente e sem “esperança”,
Quando adulta sabe o que quer.
Brota no rosto a vontade, ainda,
De ser a mais linda flor de mulher!
Era um botão de uma minha rosa.
Em tão lindo dia, então formosa,
Rompeste a flor do nascimento.
Em clara noite, vendo teus passos,
Ainda os primeiros da jornada,
Dá-me a lágrima, linda fada,
O condão do amor feito de aço!
Feita de mim! Feita por nós, amor...
Meu bem-querer de tanto verso;
Tanto que o tempo perverso
Tenta, sem sucesso, causar-lhe dor.
Quando pequena, o bebezinho.
Depois menina e não mais criança.
Adolescente e sem “esperança”,
Quando adulta sabe o que quer.
Brota no rosto a vontade, ainda,
De ser a mais linda flor de mulher!
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Ensinar-me-á.
Terra árida se faz com desespero.
Sem fim é lúdico o explicar decente.
Cobre-me os pés de lama e nevoeiro
No faz-de-conta a sombra do vivente.
Água pura em pedra de rocha batida
Paupérrima sobra de amor divino.
Deus, santo que falha e castiga,
Olha quem perdeu... Dorme sem destino!
Não dá castigo, ele já sofre tantos.
Suor é vago, e dor beneficência.
Olha pelos que não foram santos
E todos os que estão em decadência.
Caídos descompassadamente,
Perdoa-lhes os passos, dá-lhes induto.
Árvore ruim, fruto e semente...
Nessa ordem, fator não altera produto.
Sem fim é lúdico o explicar decente.
Cobre-me os pés de lama e nevoeiro
No faz-de-conta a sombra do vivente.
Água pura em pedra de rocha batida
Paupérrima sobra de amor divino.
Deus, santo que falha e castiga,
Olha quem perdeu... Dorme sem destino!
Não dá castigo, ele já sofre tantos.
Suor é vago, e dor beneficência.
Olha pelos que não foram santos
E todos os que estão em decadência.
Caídos descompassadamente,
Perdoa-lhes os passos, dá-lhes induto.
Árvore ruim, fruto e semente...
Nessa ordem, fator não altera produto.
sábado, 3 de abril de 2010
Meia-boca.
Quando o mar sopra meu sono
É pra avisar que a noite chega.
Vou do acalento ao abandono
E a noite clara vira negra.
Minha lembrança espatifada,
Sem entender que acontecia,
Foi deixando a boca calada
Sem saber que amor viria.
Seu colo não é mais estada!
Sua boca?! Perdida alegria.
Nas nuances da madrugada
É dor, exatidão e apatia.
Minha rima exacerbada
Carece de ter algum sentido,
Pois vejo, enquanto divaga,
O luar dos esquecidos...
Essa lua inda ontem bela,
Fez sentido como nunca antes,
Vi nos olhos de quem zela
O choro perdido e navegante.
Venha comigo ao deslumbro
Raiar da última morada!
Veja o sol enquanto sucumbo
À sinuosidade da estrada.
Não é de dor, lacera a demora,
Nem de frio que me inquieto.
É de amor, o mais extremo,
Que meu corpo por ti implora.
Implora tanto que desperto
Para outro dia que não lembro.
É pra avisar que a noite chega.
Vou do acalento ao abandono
E a noite clara vira negra.
Minha lembrança espatifada,
Sem entender que acontecia,
Foi deixando a boca calada
Sem saber que amor viria.
Seu colo não é mais estada!
Sua boca?! Perdida alegria.
Nas nuances da madrugada
É dor, exatidão e apatia.
Minha rima exacerbada
Carece de ter algum sentido,
Pois vejo, enquanto divaga,
O luar dos esquecidos...
Essa lua inda ontem bela,
Fez sentido como nunca antes,
Vi nos olhos de quem zela
O choro perdido e navegante.
Venha comigo ao deslumbro
Raiar da última morada!
Veja o sol enquanto sucumbo
À sinuosidade da estrada.
Não é de dor, lacera a demora,
Nem de frio que me inquieto.
É de amor, o mais extremo,
Que meu corpo por ti implora.
Implora tanto que desperto
Para outro dia que não lembro.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Um mundo distante.
Quem passa a mão sobre a tua,
Em pequena e delicada procissão,
Vive da duvida que perpetua
A espera do sim ou do não.
Que me espreita delicada figura
Nos sonhos do amor divino.
Embalado pelo som da candura
Do algoz fictício amor angino.
Que pela boca uma vez tocada
O corpo ainda treme de lembrança.
Faz de mim eterna morada
Eterna como esta tênue esperança.
De quem sabe voltar ao teu beijo!
Num sopro do tempo perdido.
Quero agora! Querer é meu desejo
Que guardo num lugar escondido.
Em pequena e delicada procissão,
Vive da duvida que perpetua
A espera do sim ou do não.
Que me espreita delicada figura
Nos sonhos do amor divino.
Embalado pelo som da candura
Do algoz fictício amor angino.
Que pela boca uma vez tocada
O corpo ainda treme de lembrança.
Faz de mim eterna morada
Eterna como esta tênue esperança.
De quem sabe voltar ao teu beijo!
Num sopro do tempo perdido.
Quero agora! Querer é meu desejo
Que guardo num lugar escondido.
Fracionado.
Na boca o gosto amargo da partida,
Ainda o resquício de outrora, foi.
Apenas surrupiou minha chegada
E nesta madrugada, de longe chegou.
Não era mais meu amor, minha vida,
Apenas era um ser de longa vinda,
Um colo que dormiu e morreu.
Um beijo que meu corpo esqueceu.
Um afago que a noite apagou...
Na boca de tantas outras bocas
Meu nome blasfema nosso amor.
Meu ser desaba com a morte,
Pois que da vida sem sorte
Paira-me sobre os dias a dor.
Vai de volta ao que onde nunca esteve;
Cala a sombra que desmente a glória!
Faz a noite! Faz meu grito!
Bem distante de mim! Bem distante.
Ali vai o calo da mente. Vai pra sempre,
Não volte nunca mais.
Faça da minha lembrança a sentença,
Onde fizer sua presença:
“o amor aqui jás”.
Ainda o resquício de outrora, foi.
Apenas surrupiou minha chegada
E nesta madrugada, de longe chegou.
Não era mais meu amor, minha vida,
Apenas era um ser de longa vinda,
Um colo que dormiu e morreu.
Um beijo que meu corpo esqueceu.
Um afago que a noite apagou...
Na boca de tantas outras bocas
Meu nome blasfema nosso amor.
Meu ser desaba com a morte,
Pois que da vida sem sorte
Paira-me sobre os dias a dor.
Vai de volta ao que onde nunca esteve;
Cala a sombra que desmente a glória!
Faz a noite! Faz meu grito!
Bem distante de mim! Bem distante.
Ali vai o calo da mente. Vai pra sempre,
Não volte nunca mais.
Faça da minha lembrança a sentença,
Onde fizer sua presença:
“o amor aqui jás”.
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